quarta-feira, 20 de março de 2013
sábado, 9 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
Engravatado
O alarme tocou e ele levantou com mais sono do que quando havia deitado. Hoje ele tem mais outra chance de jogar tudo pro alto, desistir da infelicidade e ir fazer o que sempre quis. Odiava ficar trancado numa sala com uma pilha de papéis para serem assinados, com um sapato apertado, o toque do telefone fazia sua cabeça doer. Mal esperava pela aposentadoria, pelas férias, fim de semana, todo dia era o mesmo tormento. Enquanto tomava banho pensava sobre os inúmeros lugares que poderia ir, o quanto o mundo é grande, outras culturas, outras pessoas, isso era inspirador. Sabe o que é mais idiota que largar tudo por um sonho? Não largar tudo por um sonho. Viver infeliz. Mas será que quem é infeliz vive? Tenho certeza de quem vive realmente não é infeliz. Ele saiu do banho, abriu o armário e pegou o terno, maldito terno. Era quente e com riscas de giz, ele odiava riscas de giz. Preencheu todas as casas da camiseta social com os botões, mas não preencheu sua alma, amarrou o sapato e um nó também se amarrou em sua garganta. Faltava a coragem de enfrentar o mundo, a sociedade, os insultos, as chacotas, para gritar com toda a força para quê ele nasceu. Por fim veio a gravata, a terrível gravata, a pior parte de todas. Ele a puxava de um lado, passava uma ponta por baixo da outra, e então um perfeito nó simples, que ele sentia o apertar, e apertava tanto que quase não era possível respirar, ele se olhou no espelho novamente, a gravata estava normal, andou em círculos, sentou, levantou, e descobriu o motivo. Esse tempo todo não era a gravata que o sufocava, era ele mesmo, engasgado com seus sonhos, enforcado por seus medos, asfixiado por seu próprio ar.
domingo, 3 de março de 2013
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