terça-feira, 18 de julho de 2017

Invencível

Em toda minha vida eu me vi
perdida em bifurcações, multidões.
Corri com medo,
mas não vou fugir...
não dessa vez...
Fingindo ser tudo que não era:
Coragem.
Fingindo ter tudo que não tinha:
Coragem.
Perdida na água, cercada por ilhas.
As ondas me enjoam e me levam ao mesmo lugar,
mas a maré que sobe não me faz afundar.
Sou invencível.
Estagnavelmente invencível.

sábado, 16 de maio de 2015

Míope

Basta trocar a lente, simples assim, ou até desembaçá-las. É difícil, nem sempre tenho a disposição de ir na pia lavar meus óculos ou no médico pra pedir nova receita. E fiquei por muito tempo enxergando as pessoas, os acontecimentos, o mundo inteiro, por olhos errados. Problemas de visão, todos temos, mesmo quem não usa óculos, mesmo quem não usa lentes de contato, mesmo quem não tem problemas de visão, no fundo tem problemas de visão. É bom trocar nossos olhos de vez em quando, por que não é sobre do que se trata, mas sim do ângulo que você observa o que se trata. Então, vamos na pia, vamos no médico, vamos abrir nossos olhos, trocar nossos olhos, observar sem nossos olhos. Eu enxergava através de uma manta, não sabia que existia algo mais.
Agora eu vejo,
Sem meus olhos.
Na escuridão.
Vazia,
Vestida de coragem,
Não caibo mais em papéis.
Não sou limite,
Sou horizonte.
Seus olhos não me enxergam,
Então feche-os e me olhe atentamente.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Somente só

Eu não quero ser inteira, eu quero ser só. Sem barulhos, sem brigas, sem coração pulsante. Quero ser só. Só meu papel, só minhas palavras, sem mais. Só, assim eu existo. Só, assim sou eu. Somente os insights de palavras pairando pelos meus olhos perdidos no escuro. Você tirou minha única característica, a solidão, e agora eu não sou mais eu, quem eu sou? Sou você, sou ele, sou ela, sou todos e todas, mas não eu. Vai embora, vai logo, eu quero ficar só, só comigo, eu quero ouvir novamente a voz do meu silêncio inspirador, sentir minhas retinas fatigadas e fechar meus olhos levemente enquanto a água cai neles ou deles. Vamos, devolva-me a liberdade, para eu poder ser mais uma perdida em uma multidão procurando por casos efêmeros, incapazes de curar eu mesma, a solidão.    

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Experimente

Muita coisa mudou nesse 2014, entre essas coisas, eu. Como o "Junho17" é simplesmente um reflexo de mim, ele também tem que mudar. COMO ASSIM FÊ? VOCÊ NÃO VAI MAIS POSTAR OS TEXTOS ESQUISITOS LEGAIS!!!!!111???? COMO VOU VIVER ASSIM???:(((( Os textos ainda serão postados, normalmente, mas por qual motivo limitar o blog a só isso, não é mesmo? Algumas novas colunas serão postadas. MAS QUAIS COLUNA FÊ??? COMO VAI SER ISSO??? NÃO, #VOLTAJUNHO17 Nem eu sei como vai ser, contar estragaria a surpresa. Enfim, menos mimimi e mais postagens.

"Permita-se mudar, pois toda mudança é um fim e todo fim pode ser um recomeço." (Inventei agora, mas finge que é da LISPECTOR, Clarice)

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Angústia (Epifania II)


Já estava tarde quando Ela abrira a geladeira, mas o desejo de comer doce não tem hora. Boca salivando, olhos entreabertos e pés descalços. Passou o olhar pelas prateleiras: mostarda, arroz, lasanha, "cadê?", vidro de tempero, "o que isso tá fazendo aqui?", brigadeiro. "Achei". Ela estendeu a mão para a vasilha de brigadeiro, mas percebeu o bolo de chocolate escondido entre duas panelas, parecia bom. Impasse. E se comesse o bolo, porém, na verdade, quisesse o brigadeiro e vice-versa? E se no lugar dessas comidas houvesse duas pessoas e ela tivesse que escolher entre um Guilherme e um Marlus? Ou melhor, dois empregos, dois países para morar. "Sabe o que é pior de poder escolher? O próprio fato de poder escolher". E se ela escolhesse Marlus, casasse com ele, depois de sete anos olhasse para si mesma no espelho e pensasse que havia feito a escolha errada e que sempre amou Guilherme? Se escolhesse o batom vermelho ao invés do coral? Ela viveria o resto de seus dias com o fardo da escolha errada. Pior ainda, se as escolhas definem quem somos e nós escolhemos errado, então nos tornamos errados, não é mesmo? Depois da epifania do dia anterior passou a ser assim, condenada a liberdade. "Maldita liberdade" e com ela veio a náusea de ser responsável por seus atos, pois não podia culpar Deus, o governo ou o aquecimento global pelas mazelas em sua vida. A barriga roncou, mas o estômago estava enjoado."Dane-se". Pegou o bolo, cortou em pedaços e jogou na vasilha de brigadeiro, fazendo uma mistura com um gosto um pouco peculiar, gosto de liberdade.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Epifania


Ela olhou para o chão e viu a mecânica de suas pernas em uma caminhada: perna direita, perna esquerda, direita, esquerda, uma e depois a outra. De repente, esquerda, esquerda e chão. Caiu. Alguém viu? Ninguém. Ótimo. Continue. E continuou, limpou o joelho e continuou. Direita, esquerda e o que mais? Esqueceu como andava. Estava parada, olhando para suas pernas estáticas. E agora? "Continue" ela dizia para ela. Como? Direita, esquerda? Esquerda, direita? Olhou para o chão, uma planta, poucas folhas e uma flor, crescendo em meio as rachaduras da calçada. "Deve-se contornar os problemas, eles só lhe impedirão de fazer o que você quer, se você os permitir impedir." Linda filosofia, foi ela mesma quem desenvolveu, parecia Mahatma Gandhi, mas era ela, Ela, com letra maiúscula de nome próprio, de indivíduo, de ser. Ela só, parada e ao mesmo tempo movimentando, dentro da sua cabeça um milhão de perninhas estavam: direita, esquerda... 

Emicida e Pitty - Hoje cedo


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