Ela olhou para o chão e viu a mecânica de suas pernas em uma caminhada: perna direita, perna esquerda, direita, esquerda, uma e depois a outra. De repente, esquerda, esquerda e chão. Caiu. Alguém viu? Ninguém. Ótimo. Continue. E continuou, limpou o joelho e continuou. Direita, esquerda e o que mais? Esqueceu como andava. Estava parada, olhando para suas pernas estáticas. E agora? "Continue" ela dizia para ela. Como? Direita, esquerda? Esquerda, direita? Olhou para o chão, uma planta, poucas folhas e uma flor, crescendo em meio as rachaduras da calçada. "Deve-se contornar os problemas, eles só lhe impedirão de fazer o que você quer, se você os permitir impedir." Linda filosofia, foi ela mesma quem desenvolveu, parecia Mahatma Gandhi, mas era ela, Ela, com letra maiúscula de nome próprio, de indivíduo, de ser. Ela só, parada e ao mesmo tempo movimentando, dentro da sua cabeça um milhão de perninhas estavam: direita, esquerda...

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