Ela me olha através de uma taça cheia de vinho, como se quisesse esconder algum coisa. Nossos olhos mantiveram um estranho contato intenso por meio segundo, eles se abraçaram como se fossem velhos conhecidos. Suas sobrancelhas estão em uma postura desafiante enquanto o sorriso me é convidativo. Ela é um paradoxo ambulante. Por um momento estou só com ela em uma sala fechada para o mundo, aberta para nós. Qual será sua voz? Minha mente cria inúmeras melodias e eu decido qual deve se encaixar melhor. Em qual língua ela fala? Francês? Ela tem cara de quem fala francês. Ela vira seu rosto todo para mim, agora seu corpo, seus pés andam em minha direção. E voltamos para um lugar só nosso, consequentemente eu estou a encarando, mas não me importo, pois só ela pode ver. Com um pé milimetradamente a frente do outro, seguindo a reta que une nossos dois pontos, ela balança os dedos que seguram a taça, tocando as unhas no vidro, fazendo um barulho que não consigo ouvir, mas sei que fazem. Quando se trata dela eu só sei, eu só sei de sua beleza, não sei explicar o motivo. Ela é um dogma incrustado de diamantes no pescoço com um vestido vermelho justo no corpo. Ela não abaixa o rosto para andar, ela sabe o que quer, sabe onde quer chegar e pelo visto no caminho para seu destino ela cruzará comigo, ou seu destino sou eu.
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