Ficamos tão preocupados em perder muito tempo que acabamos nos perdendo muito no tempo. Tornando o passado nosso presente, ao invés de deixar os pássaros voarem, os seguramos, tentamos agarrar a água e prender o vento.
Se pudéssemos esquecer as coisas ruins que passamos, mas como esquecer parte de nós? É como levantar e ir para o trabalho, ou para a escola sem a cabeça, a perna, a barriga. Impossível. Sim, é impossível controlar o incontrolável. O máximo que podemos fazer é retirar essas lembranças de nosso momentâneo campo de visão, porém elas sempre estarão ali, em algum canto do nosso subconsciente.
Efêmero e infinito, essas são as duas palavras que definem o tempo. Depende da forma que você o vê. Ele pode passar rápido ou devagar, as vezes nem passa, e as vezes você nem o vê passar. Nos dizemos tão analíticos, perfeitos, especiais e racionais, mas nossa raça é submissa a algo que ao menos podemos tocar. Tic-Tac, tic-tac. Escravos. Tic-tac, tic-tac.
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