Eu não me sinto eu mesma. Faço coisas que eu não gosto, em lugares que eu não gosto, cercada por pessoas que eu não gosto. Eu própria observo meu rosto coberto pela máscara de uma felicidade que não existe, e isso só é possível porque meu corpo e minha alma são coisas distintas nesse momento. Me olhar no espelho? Pra quê? Se o reflexo que vejo não sou eu. Nada disso condiz comigo. Meus olhos revelam uma escuridão que desconheço, pois as janelas da alma não podem mostrar algo inexistente, elas mostram o real. E a única coisa que habita essa carcaça que chamo de corpo é o vazio, sem pensamentos, sem valores, sem personalidade, somente o vácuo me preenche. Enquanto isso eu pairo no ar, observando eu mesma rodopiar pelas ruas gélidas, sem rumo, me buscando, se buscando.
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